Fui jornalista por um breve período. À época, a Dilma não tinha sofrido um golpe e o Facebook ainda era relevante.
Eu
me arrisquei nessa área por se tratar de uma atividade que envolve a
escrita e, confesso, porque é também a profissão do Clark Kent.
Iniciei
em um jornalzinho local. Eu era um reles estagiário. Nessa condição eu
não escrevia porra nenhuma. De vez em quando alguém lembrava que eu
existia e me mandava preparar o chimarrão.
Porém,
num raro dia frio e chuvoso de novembro me mandaram acompanhar o
repórter que atendia as ocorrências policiais. Acabara de ocorrer um
assalto no centro da cidade. Um assalto envolvendo reféns.
A
situação foi a seguinte: Policiais flagraram um cara tentando roubar um
celular. Uma perseguição a pé foi iniciada. O ladrão, desesperado,
chegou em um ponto de ônibus e fez de refém a primeira pessoa que encontrou
pela frente.
O assaltante, munido com uma faca, ficou cerca de vinte minutos abraçado com um sujeito, ameaçando cortar a goela do coitado.
Felizmente tudo ocorreu bem. O meliante foi preso e o refém foi libertado ileso.
Eis que a chefe da equipe ordenou:
- O Gilmar vai fotografar, eu vou entrevistar a equipe de polícia e tu…
Ela olhou para mim como um técnico olhando o pior jogador no banco de reservas.
- … Sei lá, tu faz qualquer coisa.
Decidi então entrevistar o refém.
Fui
empolgado arrancar algumas palavras do assaltado. Eu, ávido para
redigir a matéria da minha vida, almejava ouvir o relato épico de quem
passou por uma experiência traumática, dessas que deixa marcas
indeléveis na alma, dessas de quem acabara de flertar com a morte.
-
E no que o senhor pensou enquanto esteve sob o jugo do assaltante? - Eu
perguntei Minha expectativa era ouvir um depoimento emocionado sobre a família, sobre o amor dos entes
queridos e o manjado “nasci de novo”.
Que nada! O cara simplesmente falou:
Espaço para divulgar os meus projetos na área de Marketing digital, produção de conteúdo e literatura
sexta-feira, 11 de julho de 2025
A épica entrevista
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