terça-feira, 8 de julho de 2025

Setembro amarelo

Já atuei como estagiário em uma empresa grande no segmento de finanças. Lembro que as raras vezes em que vesti terno e gravata e não usei uma camiseta do Ramones foram nessa época.

Certa feita, a minha coordenadora afirmou que queria mudar o mindset da equipe (ou qualquer asneira nesse sentido) e ordenou que eu preparasse uma palestra no Power Point.

- Quero que você fale sobre a importância da empadinha no mercado corporativo. - Ela mandou.

Óbvio que considerei aquele tema deveras estranho.

- Vamos mudar o foco da empresa e vender empadas? - Eu pensei. Contudo, como eu não era pago para questionar e apenas obedecer. Fiz o que me foi solicitado.
Pesquisei tudo sobre empadinhas. Li sobre sabores, receitas e até artigos acerca dos nutrientes presentes em tal iguaria.

Chegou o dia da apresentação, entrei na sala de reunião e me deparei com oito pares de olhos atentos ao que eu estava prestes a falar. Eram homens e mulheres ostentando semblantes sisudos.

E lá fui eu falar sobre empadinhas.

Logo no primeiro slide, quando eu estava prestes a proferir considerações sobre as empadinhas de queijo, a minha coordenadora interferiu.
- Que monte de baboseira é essa? - Ela gritou.
- Fiz o que a senhora pediu, preparei uma apresentação sobre empadinhas.
- Empadinha é o caralho! Eu falei empatia. Entendeu agora? Em-pa-ti-a.

Óbvio que esse erro custou a minha presença na empresa. Mas aprendi a lição e agora sei que a comunicação é um detalhe fundamental no cenário corporativo.

Lembrei desse episódio porque, certa feita, em minhas aventuras como freelancer, pediram para eu elaborar uma arte gráfica relacionada ao Setembro Amarelo. Nessa peça, eu deveria salientar o conceito de empadinh... quero dizer... Enfim...



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